CRISTÃOS E JUDEUS | |
Pensamentos em Direção a Shabat AmbientalL Lee Levett-OlsonNo seu importante livro God in Creation [Deus na Criação], o teólogo contemporâneo Jürgen Moltmann começa asseverando que:
Moltmann esclarece que a ShaBaT [pausa, pousada] é ponto central no diálogo entre crentes judaicos e cristãos; e quero afirmar aquela noção também. De fato, porque toadas as três fés abraâmicas se apóiam em fundações mosaicas que incluem reverências para a ShaBaT, esse assunto é um que deveria unir todas as nossas tradições e, vice-versa, distingui-las de outras religiões do mundo. Quero ir mais adiante, ainda seguindo a guia perceptiva de Moltmann de 1985:
A ShaBaT não está meramente central para o diálogo abraâmico; está central também para a aproximação teísta à inteireza ecológica. Durante décadas, teologias judaico-cristãs da criação têm sido implicadas em violações contínuas desse planeta, e eu por minha parte creio que a acusação está largamente justificada. Certamente, a noção de que somente humanos carregam a imagem de Deus, o que significa que todas as outras coisas existem para o serviço dos seres humanos e à disposição destes, está cumplícita numa fila de crimes verdadeiramente horríveis contra outras espécies e a própria terra. Mas aí, no coração da fé de Abraão há um desafio fundamental à ação humana. A terra existe por causa da sua própria conta, não por causa dos humanos; e ser construídos no próprio ritmo de realidade, é uma relembrança contínua de que não estamos tomando conta desta casa. Como vou mostrar, a ShaBaT não está justamente convenção social; a terra tem um direito à sua próprio ShaBaT, e esse direito triunfa até a preocupação de Deus pela humanidade. Com justamente um exemplo ou dois, espero dar a entender hoje que um reclamar genuíno da sabedoria da ShaBaT proverá, em um mesmo tempo, um ponto de entrada para diálogo entre as fés abraâmicas bem como entre as nossas fés e o mundo onde oração está sob estado de sítio. Os meus pensamentos sobre esse assunto foram primeiro estimulados por uma outra voz presciente que escreveu bem antes de Moltmann e percepção ecológico de que a ShaBaT marca o reconhecimento da harmonia intrínseca da criação. Interferência humana com aquela harmonia deve ser interrompida por intervalos regulares de não-intervenção. Erich Fromm argüiu já na década dos anos de 1960, que modernidade engendra uma ordem social radicalmente alienante — alienando-nos de nós mesmos, de um do outro e da criação como um todo. Fromm encontrou uma aproximação alternativa à sociedade humana fundada nas tradições antigas da ShaBaT, e especialmente da ShaBaT Messiânica: o Dia final de Parada para todas as coisas. O seu racional põe observação da ShaBaT para dentro dum contexto cômico relevante para a crise de hoje. Chamando a atenção para que as tradições abraâmicas definem trabalho, não como efeito físico ou produção material, mas sim "qualquer interferência [humana] seja esta construtiva ou destrutiva, com o mundo físico"; Fromm conclui que portanto "Parada é um estado de paz entre pessoa humana e natureza" (p. 154, itálicas no original). Na ShaBaT os seres humanos
Vista nessa, a ShaBaT é tanto celebração quanto educação: tempo para aprofundar a consciência do nosso lugar dentro da criação, bem como de reconhecer o Criador Cuja atividade mantém continuamente o cosmo — e o faz independentemente das nossas interferências. Há validade na acusação de que o oeste, sob a influência de teologia judaica-cristã, tem sido perversivamente antropocêntrico em tanto teoria quanto prática. Nós humanos agimos não só como soberanos sobre outras espécies, mas como soberanos desconectados: capazes de afetar o nosso ambiente sem sendo nós mesmos afetados em troca. Essa espécie de antropocentrismo absolutista, hierárquica está derivada, ou pelo menos justificada, por razões teológicas. Reclamamos ser a única espécie que carrega a imagem de Deus; e a nossa própria visão de Deus está justamente uma tal de soberano desconectado: capaz de ditar efeitos à criação, mas nunca ser afetado pelas conseqüências. Creio que aquela é teologia má, têm razões demasiadamente muitas para serem detalhadas aqui, mas o assunto bíblico da ShaBaT oferece um corretivo importante se nos permitirmos vê-la claramente. A história de primeira criação no Gênesis conclui não com a criação de seres humanos que, como feminino e masculino juntos, compartilham a semelhança de Deus; a história conclui com a ShaBaT. E nota isso!: os humanos não têm um dia seu próprio — compartilham o dia sexto com qualquer criatura de terra de formigas até elefantes; mas é que a ShaBaT tem um dia seu próprio. Isso indica importância relativa em modo notável; e a ShaBaT excede a humanidade em importância. Os humanos, nessa história, são criaturas de terra similares em qualquer modo a outros animais que compartilham a terra; a nossa criaturidade está embutida dentro da rede de seres de terra. De fato, aquela palavra preocupante "dominação" está dada como tarefa nesse contexto somente: os humanos formam os elos que ligam animais selvagens e domésticos, animais de terra com habitantes do mar e do céu, e toda a hoste do mundo vegetariano que semelhantemente dependem de plantas e frutas. Um parentesco similar forma a segunda história de criação. Nesta história, o relacionamento com Deus está particularmente íntima: Deus forma terra (adamah) em terroso (adam) diretamente, e então inspira boca a boca o espírito animador. O restante da criação animada segue o mesmo padrão preciso: Deus formando a terra e inspirando espírito, fazendo parceiros e ajudantes de qualquer animal. (Só a mulher rompe o padrão, mas a sua origem última, também, é o mesmo barro que produziu cada criatura, e os seus pulmões, também, enchem com espírito de Deus.) Mais uma vez, toda a criação está vegetariana e aparentada, parceiros juntos no jardim. Nenhuma dessas histórias justifica soberania desconectada como destino humano. Somos criaturas de terra como tudo o restante, postos aparte em tarefa, mas nunca em substância. Nenhuma impunidade ou independência está implicada — caso contrário, ação humana afeta toda a criação, e esse ambiente, em resposta, chega a ser hostil à humanidade. Esta é a lição da caída: não podemos estar indiferentes das conseqüências das nossas escolhas. Por qualquer mal que fizermos, a terra nos ameaça também. Se a soberania antropocêntrica não faz parte das histórias de criação, será que o nosso papel em carregar na terra a imagem masculina/feminina de Deus a implique de algum modo? Não sem interpretar mal o texto. Vimos na segunda história que Deus literalmente suja as mãos formando a criação no jardim; e a boca de Deus sopra espírito para dentro de tudo que respira mesmo; e então Deus presumivelmente chega a ser patrão da cirurgia efetuando a primeira operação sob anestesia geral. Isso retrata um Deus muito criatural! com membros de formar e boca spirante, que gosta de sentir a brisa do anoitecer quando andando nesse Éden. A primeira história parece mostrar um Deus mais soberano desconectado, cuja palavra sozinha traz todas as coisas a ser. Mas lembra que essa história alcança o clímax com a ShaBaT, e Deus compartilha o restante com qualquer outra criatura: um parentesco de não-interferência celebrando o milagre dum cosmo agora chamada de "muito bom". Esse "parentesco de não-interferência" está sendo entendido por outro assunto que freqüentemente não notamos na primeira história de criação. A distinção está sendo feita entre três espécies de animais de terra: insetos, animais selvagens e domesticados. Entre os outros animais, peixe e aves estão sendo separados. Quando "dominação" está sendo dada aos humanos, uma coisa que não implica é o direito de matar para comer — os humanos como outras criaturas permanecem vegetarianos em ambas as histórias de criação. E "domínio" também não inclui a perda dessas distinções. Animais selvagens permanecem selvagens! A sua selvageria não está sobre perigo ou ameaça, já que são, como todas as coisas são vegetarianos e não é que matam. O que, então, essa selvageria implica? Uma coisa só: existem por conta própria, e não à disposição humana. A mais maravilhosa confirmação dessa verdade vem na Resposta de Deus a Jó nos capítulos finais daquele livro extraordinário. Gerações quebraram a cabeça sobre a resposta ventadora de Deus e porque não parece resposta nenhuma ao sofrimento do servo de Deus. Se pormos a voz do vendaval junto com a voz da criação primeira pelo menos parte do enigma encontra resolução: Deus recusa ser ligado por padrões humanos de justiça. Nem as demandas agonizadas de Jó no seu sofrimento nem os chavões bem-intencionados dos seus "confortadores" enlaçam Deus numa armação humana de referência. E para demonstrar as limitações dessa armação humana de beleza, Deus emerge na selvageria dum desastre natural. "Podes controlar o tempo?" a voz da tempestade pergunta. "Ligarás a natureza às tuas limitações humanas?" É uma pergunta em tempo, dado o contexto do nosso encontro! O que segue é uma das descrições mais poéticas (e no seu modo, científica pelos padrões do seu dia) da natureza selvagem do todo do mundo antigo. Uma feição comum liga o catálogo de criaturas na qual Deus se deleita está tão evidente: todas elas são selvagens. É a própria recusa delas de se curvarem à vontade humana que faz Deus feliz. Dos asnos, cabras e leões selvagens até Beemot e Leviatã, aos próprios ventos e estrelas do céu, a vasta maioria do cosmo não está à nossa disposição. Deus o fez selvagem, deleita-se na sua selvagem, e recusa a deixá-los serem domados: porque Deus, também, não está à disposição nossa. Deixai-me dizê-lo claramente: A resposta de Deus a Jò implica que a criação selvagem é icone de divindade. Em que os humanos não podem controlar, vemos a semelhança do nosso Criador indomesticável. Há muitos textos na Escritura, inclusive alguns dos escritos sagrados de tanto cristãos como moslins, que reforçam essa verdade; mas os temos ignorado por tempo demais. Quero olhar para uma advertência aguda das conseqüências se a nossa ignorância continuar não-alumiada. O livro Levítico tem sido um sítio contestado para muitos em nossas tradições. Foi usado para justificar uma variedade de formas do que seria francamente etiquetado como exploração cruel e um senso prejuízo justo que ainda produz vítimas no nosso tempo. A vitimação está sendo feita pior, porque a nossa leitura está tão parcial. É Levítico que nos lembra de que Jesus, como judeus bons do seu tempo, reconheciam como os dois grandes mandamentos: Ama Deus e ama vizinho. É Levítico que nos lembra do nosso relacionamento com terra: "A terra não deve ser vendida em perpetuidade, pois a terra e Minha; comigo vós sois somente forasteiros e inquilinos" (Levíticos 25:23). Aquela relembrança de que terra pertence a Deus vem no contexto do ano de Jubileu, com no seu coração uma restauração de terra aos seus guardas originais — um desafio intimidador numa nação de Gerações Roubadas. Nesse ano, a terra produtiva está sendo deixada de pousio e aberta para as necessidades de animais selvagens, também. Mas essas mensagens de Levítico são usualmente ignoradas, até por aqueles que gostam citar outras parte para etiquetar algo como "impuro". Há conseqüências para a nossa recusa de aceitar o cuidado de Deus por terra e criaturas selvagens. No capítulo 26, Levítico expõe as bênçãos de obediência e as penalidades por desobediência em modos que mostram talvez mais claramente que qualquer outro texto justamente o que "domínio" humano realmente significa. Viver por Toráh significa aumentar o ShaLôM de todo a criação, doméstica e selvagem igualmente, cuidando dos pobres e vulneráveis tanto humanos e não-humanos. E por aquele ShaLôM, aquele bem-estar universal, os humanos são os meios, um instrumento. Não somos o fim, a meta, o ponto para tudo isso: o ShaLôM da ShaBaT cósmica é o fim, a meta; e nós somos simplesmente dispensáveis se falharmos de o promover:
Então a terra compor-se-á para os seus anos de ShaBaT.Todo o tempo que jazer desolada, enquanto vós estiverdes no país dos vossos inimigos; então a terra repousará e se prepara para os seus anos de ShaBaT, haverá o repouso que não tinha nas vossas ShaBaTs [ShaBTôTeIKéM] quando estivestes vivendo nela (Levítico 26:27 — 35). Agora pode ser argüido que essas advertências lúgubres se aplicam somente àqueles que se vêem como povo escolhido de Deus. Penso que isso é simplesmente errado: a lei de amor por Deus e vizinho é, não invenção étnica, mas sim obrigação humana universal. A lei de manter ShaBaT por motivo da terra está dada sobre a criação do mundo inteiro. Está imposto em toda a humanidade. O ponto para essa advertência é que os direitos da terra excedem os direitos dos seus habitantes. Essa é uma mensagem de ambiente poderosa, que fere até a medula o nosso sistema inteiro de ordem social; desentranha o nosso antropocentrismo e nos deixa nus, sem escusa. Cristãos rapidamente citam Jesus, que disse: "O ShaBaT foi feito para humanos, a não os humanos para o ShaBaT" (Mc 2,27). Mas como tão freqüentemente, Jesus não estava proclamando coisa nova alguma ao Judaísmo do seu tempo. De fato, a ShaBaT foi feita para os humanos — porque só humanos têm o potencial de interferir com a harmonia da criação. Só humanos precisam de regulação, desde que só humanos possam violar ShaLôM. A ShaBaT foi feita para nós porque precisamos lembrança regular de que criação existe por sua própria finalidade e não está à nossa disposição. A ShaBaT foi feita para nós, porque podemos fazer um ídolo do nosso comprar e vender, e algumas coisas não devem nunca estar à venda. A ShaBaT foi feita para nós, porque podemos encontrar o nos próprio ShaLôM no bem-estar de toda a criação, e somente aí. Se alguns estiverem excluídos do bem-estar, a ShaBaT nos adverte que a estrutura está errada: e até a terra, que não nossa própria, tem direito de deixar deixada sozinha. E, finalmente, a ShaBaT foi feita para nós a apontar par uma idade messiânica: o bem-estar cósmico por vir quando harmonia terá sido restaurada e todas as coisas celebram juntas. Isso, também, Erich Fromm considerou. Era, talvez, a somação da sua chamada para ser plenamente humano num modo que punha ser acima de ter por sacudir as idolatrias de ganância e religião falsa. A ShaBaT messiânica, que Jürgen Moltmann liga à "ShaBaT de criação", também "aponta à imanência do Criador na — criação"(p. 280). Bem-estar cósmico inclui a presença do divino em celebração viva no meio dum "reino pacífico" onde não há mais desolação humana. Dificilmente preciso destacar que o ShaLôM hebraico (com o seu cognato árabe salaam) implica "mais que não-guerra; é harmonia e união [entre as pessoas], é a superação de separação e alienação". Mas vai mais longe:
Como verdadeiramente honrarmos a ShaBaT num mundo de consumismo e exploração global, não está fácil para visionar. Não parece suficiente retirar-se semanalmente como família, ou até como uma fé da corrida para destruição, se a corrida continuar indescarada sem nós. Gostaria ver uma discussão séria da reverência à ShaBaT no contexto da crise ambiental; com disposição de olhar além das espécies míopes para o ShaLôM de toda a criação. Para mim, aquela discussão terá integridade somente se envolver todas as três fés abraâmicas; se ela for informada pela melhor cientifidade tanto bíblica quanto científica; e se for engajada apaixonadamente com sabedoria indígena e o pensar da maioria do mundo. Mas tempo é curto, e o diálogo importa. Penso que devemos começar. Texto inglês: Thoughts Towards an
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